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Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

in Mensagem, Fernando Pessoa

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“Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”

Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

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Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem
Para a tua companhia

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Com o meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem
Foi um mansinho coelho

As ondas do mar são brancas
Bravo meu bem
E no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem
P’ra morrer no meio delas

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Para ver se embravecia
Quiz bem a quem me quer mal
Bravo meu bem
Quiz bem a quem me não queria

Música Popular Açoriana

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Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio…» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

Bernardo Soares
in Livro do Desassossego

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A Telebras anunciou dia 16 que fechou uma parceria com a Angola Cables para a construção de um cabo óptico submarino que ligará Fortaleza a Luanda, em Angola. O cabo de seis mil quilômetros deve ser lançado até o primeiro semestre de 2014, e a seleção da construtora para o projeto ocorrerá em março do ano que vem.

A parceria foi formalizada na quinta entre o presidente da Telebras, Caio Bonilha, e o representante da Angola Cables, António Nunes. A estatal espera que a nova conexão com o continente africano irá gerar uma redução de cerca de 80% nos custos de saída de internet do Brasil e dos demais países da América do Sul para a Ásia e a África. Com a iniciativa, o tráfego destinado a esses continentes não terá mais que passar, obrigatoriamente, pela Europa e pelos Estados Unidos, como ocorre hoje.

Fonte: http://telesintese.com.br/index.php/plantao/17988-telebras-e-angola-cables-fecham-acordo-para-construcao-de-cabo-submarino

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São Paulo – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Fernando Pimentel, encontrou-se Segunda-Feira com autoridades moçambicanas, em Maputo, no primeiro dia da missão empresarial que irá também a Angola.
Durante a manhã, Pimentel teve encontro marcado com o ministro da Indústria e Comércio de Moçambique, Armando Inroga.  Os políticos presidiram, às 9H30 (horário local), à cerimónia de abertura de uma ronda de negócios com empresários moçambicanos e brasileiros.
Segunda-feira), Pimentel esteve em reuniões com os ministros moçambicanos das Finanças, Manuel Chang, das Obras Públicas e Habitação, Cadmiel Mutemba, e dos Transportes e das Comunicações, Paulo Zucula.
O político brasileiro continuará em Moçambique esta terça-feira, quando se encontra com o ministro da Energia, Salvador Namburete, e com a ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias.

Pimentel ainda fará uma visita de cortesia ao Primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali, antes de embarcar para Luanda.

A missão brasileira é dupla. Uma parte da comitiva liderada por Pimentel é composta por autoridades e representantes de grandes empresas.

Esse grupo tem como objectivo conversar com autoridades, estreitar as relações económicas com os países africanos e fazer um raio x das suas necessidades, com vista à elaboração de estratégias para aumentar a competitividade das empresas brasileiras na África.
Também viaja uma missão, organizada pela Apex-Brasil, com cerca de 50 pequenos e médios empresários, principalmente dos sectores alimentar, de construção e de máquinas.
A comitiva empresarial estará concentrada nas rondas de negócios e ficará em solo africano até ao dia 30 – além de Moçambique e Angola, os empresários visitarão também a África do Sul, onde foram agendados encontros com compradores de Botswana, Quénia, Zâmbia, Tanzânia e Namíbia.
A viagem ocorre um mês após a visita oficial da presidente brasileiro Dilma Rousseff a Angola e Moçambique.
A elaboração de uma nova estratégia de relacionamento com os países africanos é uma determinação da presidente. Dois dos pontos estudados nesse plano são o incentivo à conjugação dos investimentos com projectos de desenvolvimento local e a criação de alternativas de financiamento para países que não têm acesso a linhas de crédito.

Fonte: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2011/10/47/Ministro-brasileiro-lidera-missao-empresarial-Mocambique-Angola,123840c9-3218-464d-a85f-de0f764e4a97.html

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Porto, 25 jun (Lusa) — As exportações de vinho do Porto para o Brasil cresceram 46,6 por cento nos primeiros quatro meses deste ano face a igual período do ano passado, adiantou à agência Lusa o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).

O instituto informa ainda que a faturação obtida com essas vendas foi de “quase 1,28 milhões de euros”.

“Temos estado, há dois anos, a apostar no mercado brasileiro“, nomeadamente junto das “escolas de hotelaria e da imprensa especializada” disse o presidente daquele organismo, Vilhena Pereira.

Fonte: http://aeiou.visao.pt/vinho-exportacoes-de-vinho-do-porto-para-o-brasil-cresceram-quase-50-ate-abril=f609601

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