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Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

in Mensagem, Fernando Pessoa

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Batem leve, levemente,pes-sujos
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.

Augusto Gil, in Luar de Janeiro

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Passaste no meu jardim
logo as flores se inquietaram
que duma espera sem fim
em esperança se transformaram

Tocador da concertina
tuas vozes soam longe
meu coração de menina
ficou preso a partir de hoje

E se acaso não voltares
adora-me o meu retrato
nele está espelhado o rosto
d´um coração namorado

Leva-me sempre contigo
que eu inda sou pequenina
adora-me o meu retrato
nas costas da concertina

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Uma das questões que o digníssimo leitor poderá colocar a si mesmo:
Qual o futuro da EDP?
Qual o caminho que a energia produzida em Portugal deverá percorrer?
Pois bem, a EDP, Electricidade de Portugal (gosto do nome primitivo) é uma empresa chamada de estratégica, tem uma história, uma relação privilegiada com o consumidor português e parece que até em países estrangeiros (Brasil não é estrangeiro, na minha concepção) tem tido uma boa aceitação. A sua venda ou alienação a países de fora da comunidade de língua portuguesa poderá ser um erro, levará muito provavelmente a um maior enfraquecimento da margem de manobra de um país como Portugal. No momento presente creio que o país deveria seguir um caminho de mais soberania, mais independência face a Bruxelas e consequentemente aproximar-se novamente de centros como Luanda, Brasília ou Maputo. Isso é possível, basta a negociação com a União Europeia de uma saída gradual.

Cada vez mais se nota o esforço que países como Angola, Brasil e Moçambique envidam, para que entre eles haja o maior e o mais profícuo intercâmbio, quer seja ao nível cultural, económico e até político. Nota-se, no entanto, que um país como Portugal tem por assim dizer, uma limitação grave que o tem impedido de poder estabelecer laços mais estreitos e ainda mais profundos com países totalmente livres e desafectos de quaisquer interesses estrangeiros. Não resta a mínima duvida que algumas das políticas soberanas desses países de língua portuguesa,  seriam muito úteis a Portugal. Por exemplo, dispõem de Zonas Económicas Exclusivas que gerem sem qualquer impedimento, não a partilhando minimamente se assim o entenderem. Pelo contrário, Portugal tem vindo desde 1986 a perder a possibilidade de exercer com dignidade o seu exercício de soberania sobre o seu próprio mar (como é possível?), permitindo-se, por exemplo que chegue ao mercado português pescado das águas nacionais mas  embalado em outros países da Europa?

Ainda há pouco foi noticiado que Marrocos proibiu a pesca nas suas águas. Por uma questão de soberania, por Bruxelas se ingerir em questões territoriais, Rabat e bem proibiu a pesca a países como Portugal, Espanha ou França.

E pergunta-se?
-Não seria mais vantajoso para Portugal poder estabelecer os seus próprios tratados com Marrocos (de pesca, por exemplo)?
-Não seria mais vantajoso Portugal poder aprovar quem pescasse na sua ZEE e no seu mar territorial? (os nossos pescadores agradeceriam)
-Não seria mais vantajoso para Portugal que pudesse estar na mesma mesa com os outros países de língua portuguesa sem quaisquer limitações de Bruxelas? (por ex: Schengen e afins)
-Não seria mais vantajoso para Portugal o aumento da produção nacional, a redução de importações (fora da CPLP)?
-Não seria mais vantajoso a implementação de impostos alfandegários? A reposição dos postos fronteiriços?
-Não seria mais vantajoso para Portugal a liberdade de circulação de pessoas e bens dentro da comunidade de países de língua portuguesa?
-Não seria mais vantajosa a cunhagem e emissão de uma moeda verdadeiramente nacional?
Finalmente, não seria mais vantajoso para Portugal a manutenção da Electricidade de Portugal na comunidade de países de língua portuguesa de modo a prevenir a possibilidade de um Portugal livre ser cada vez mais uma miragem?

Estas e outras questões deveriam ser respondidas. Afinal quais seriam os efeitos dessas políticas soberanas sobre o seu povo e território?

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De linho te vesti
de nardos te enfeitei
amor que nunca vi
mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite
– sinais de bem despertar –
sei dos teus braços abertos a todos
que morrem devagar.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo pode acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Irei beber em ti
o vinho que pisei
o fel do que sofri
e dei.

Dei do meu corpo um chicote de força.
Rasei meus olhos com água.
Dei do meu sangue uma espada de raiva
e uma lança de mágoa.

Dei do meu sonho uma corda de insónias
cravei meus braços com setas
descobri rosas alarguei cidades
e construí poetas.

E nunca te encontrei
na estrada do que fiz
amor que nunca logrei
mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo há-de acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Então:
nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos
nem guerras

José Carlos Ary dos Santos

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Como viajar diretamente de Portugal e de Angola para Marrocos?

Avião: Porto (Portugal) -Marrakech (Marrocos)

Companhia aérea: http://www.ryanair.com

Avião: Lisboa (Portugal) – Marrakech (Marrocos)

Companhias aéreas: http://www.flytap.pt , http://www.royalairmaroc.com

Avião: Lisboa (Portugal) – Casablanca (Marrocos)

Companhia aérea:  http://www.flytap.pt

Avião: Luanda (Angola) Casablanca (Marrocos)

Companhia aérea: http://www.royalairmaroc.com/

Existe transporte ferroviário (trem) da CP (Comboios de Portugal)  entre Porto e Lisboa:  http://www.cp.pt

Aconselha-se o comboio (trem) Intercidades ou Alfa-Pendular

Se estiver no Porto e optar pelos voos da TAP Air Portugal e Royal Air Maroc, a estação de comboios (trem) mais central é a de Estação de Campanhã e a estação de destino será Lisboa-Oriente, a mais próxima do aeroporto de Lisboa (Portela), cerca de 10 minutos.

Se estiver em Lisboa e optar pelo voo da Ryanair, a estação mais próxima de comboios (trem) do aeroporto é a Estação do Oriente (10 minutos), poderá utilizar o Táxi para lá chegar. A estação de destino é a Porto-Campanhã e aí pode utilizar o Metro do Porto (linha violetahttp://www.metrodoporto.pt que o (a) levará ao aeroporto do Porto (Francisco Sá Carneiro):

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