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Posts Tagged ‘António’

Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós

Óh meu Santo criador
com a divina devoção
ah devolve essa menina Santo Antônio
que irrustiu meu coração

Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós

Ó meu Santo criador
meus olhos choromingou
prometeu que ia p’ra reza Santo Antônio
fez as trouxa e arribou

Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós

Ó meu Santo criador
meus olhos choromingou
prometeu que ia p’ra reza Santo Antônio
fez as trouxa e arribou

Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós
Glorioso Santo Antônio rogai por nós

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Bem te avisei meu amor
Que não podia dar certo,
Que era coisa de evitar.

Como eu devias supor
Que com gente ali tão perto,
Alguém fosse reparar!

Mas não! Fizeste beicinho,
E como uma promessa
Ficaste nua para mim.

Pedaço de mau caminho!
Onde é que eu tinha a cabeça
Quando te disse que sim.

Embora tenha jurado
Discreta permanecer,
Já que não estávamos sós.

Ouvindo na sala ao lado,
Teus gemidos de prazer
Vieram saber de nós!

Nem dei pelo que aconteceu.
Mas mais veloz e mais esperta,
Só te viram de raspão.

A vergonha passei-a eu
Diante da porta aberta,
Estava de calças na mão.

Bem te avisei meu amor
Que não podia dar certo
E era coisa de evitar!

Bem como eu devias supor
que com gente ali tão perto
Alguém fosse reparar.

Mas não. Fizeste beicinho
E como que numa promessa
Ficaste nua pra mim.

Pedaço de mau caminho.
Onde é que eu tinha a cabeça
Quando te disse que sim.

Embora tenha jurado
discreta permanecer
já que não estávamos sós!

Ouvindo na sala ao lado
Teus gemidos de prazer,
Vieram saber de nós!

Nem dei pelo que aconteceu,
Mas mais veloz e mais esperta
Só te viram de raspão.

A vergonha passei-a eu,
Diante da porta aberta
Estava de calças na mão!

 

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Luanda – O embaixador cessante de Moçambique, António Matonse, reafirmou o interesse do seu país em continuar a cooperar com Angola na implementação do sistema de autarquias locais.

 Em declarações à Angop, António Matonse afirmou que a cooperação neste domínio é boa e espera-se que o seu país contribua para o início do processo de criação e implementação de autarquias com êxito.
Disse que no quadro deste intercâmbio, quadros dos dois países têm se encontrado com regularidade.

Adianta haver, inclusive, moçambicanos a trabalhar para o governo angolano na transmissão desta experiência e funcionários angolanos que regularmente têm ido à Moçambique absorver conhecimentos.

Lembra que em 2006 uma delegação de seis ministros havia se deslocado à Moçambique para estudar a realidade autárquica daquele país.
Segundo António Matonse, a política de descentralização e desconcentração é boa, porque permite que o governo central fique com a responsabilidade pelos grandes programas e o poder autárquico com a solução das questões de âmbito local.

As autarquias, acrescenta, são uma forma de uma democracia participativa, através da qual o cidadão se envolve na vida política e económica de um país, e da sua comunidade, em particular.

Explica que o poder autárquico está mais próximo do cidadão e cuida dos seus interesses imediatos. Repara a rua esburacada, porque o poder central não pode estar preocupado com água que jorra por esta via.

Considera ser também o modelo de organização administrativa do Estado que permite ao cidadão exercer pressão para quem detêm o poder autárquico resolva estes problemas de base.

A Constituição da República, em vigor desde 5 de Fevereiro de 2010, estabelece no ponto 1 do artigo 213º que “a organização democrática do Estado ao nível local estrutura-se com base no princípio da descentralização político-administrativa (…).

Já no número 2 do mesmo artigo, aponta que “as formas organizativas do poder local compreendem as Autarquias Locais, as instituições do poder tradicional e outras modalidades específicas de participação dos cidadãos, nos termos da lei.

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Exurge quare obdormis, Domine? Exurge, et ne repellas in finem. Quare
faciem tuam avertis, oblivisceris inopiae nostrae et tribulationis nostrae?
Exurge, Domine, adjuva nos et redime nos propter nomen tuum.
(Salmo XLIII)

I
Com estas palavras piedosamente resolutas, mais protestando, que orando,
dá fim o Profeta Rei ao Salmo quarenta e três. Salmo, que desde o princípio
até o fim, não parece senão cortado para os tempos e ocasião presente. O
Doutor Máximo S. Jerónimo, e depois dele os outros expositores, dizem que
se entende à letra de qualquer reino ou província católica, destruída e assolada por inimigos da Fé. Mas entre todos os reinos do Mundo a nenhum lhe quadra melhor que ao nosso Reino de Portugal; e entre todas as províncias de Portugal a nenhuma vem mais ao justo que à miserável província do Brasil. Vamos lendo todo o Salmo, e em todas as cláusulas dele veremos retratadas as da nossa fortuna: o que fomos e o que somos.
Deus, auribus nostris audivimus, Patres nostri annuntiaverunt nobis,
opus, quod operatus es in diebus eorum, et in diebus antiquis.
Ouvimos (começa o profeta) a nossos pais, lemos nas nossas histórias e ainda os mais velhos viram, em parte, com seus olhos as obras maravilhosas, as proezas, as vitórias, as conquistas, que por meio dos portugueses obrou em tempos passados vossa omnipotência, Senhor. Manus tua gentes disperdit, et plantasti eos; afflixisti populos et expulisti eos. Vossa mão foi a que venceu e sujeitou tantas nações bárbaras, belicosas e indómitas, e as despojou do domínio de suas próprias terras para nelas os plantar, como plantou com tão
bem fundadas raízes; e para nelas os dilatar, como dilatou e estendeu em todas as partes do Mundo, na África, na Ásia, na América. Nec enim in gladio suo possederunt terram, et brachium eorum non salvavit eos, sed dextera tua et brachium tuum et illuminatio vultus tui, quoniam complacuisti in eis. Porque não foi a força do seu braço, nem a da sua espada a que lhes sujeitou as terras que possuíram e as gentes e reis que avassalaram, senão a virtude de vossa destra omnipotente e a luz e o prémio supremo de vosso beneplácito, com que neles vos agradastes e deles vos servistes. Até aqui a relação ou me mória das felicidades passadas, com que passa o Profeta aos tempos e desgraças presentes.
Nunc autem repulisti et confundisti nos; et non egredieris Deus in virtutibus nostris. Porém agora, Senhor, vemos tudo isso tão trocado, que já parece que nos deixastes de todo e nos lançastes de vós, porque já não ides diante das nossas bandeiras, nem capitaneais como dantes os nossos exércitos. Avertisti nos retrorsum post inimicos nostros, et qui oderunt nos, diripiebant sibi. Os que tão costumados éramos a vencer e triunfar, não por fracos, mas por castigados, fazeis que voltemos as costas a nossos inimigos (que como são açoite de vossa justiça, justo é que lhes demos as costas), e
perdidos os que antigamente foram despojos do nosso valor, são agora roubo da sua cobiça. Dedisti nos tanquam oves escarum et in gentibus dispersisti nos. Os velhos, as mulheres, os meninos, que não têm forças nem armas com que se defender, morrem como ovelhas inocentes às mãos da crueldade herética, e os que podem escapar à morte, desterrando-se a terras estranhas, perdem a casa e a pátria. Posuisti nos opprobrium vicinis nostris, subsannationem et derisum his, qui sunt in circuitu nostro. Não fora tanto para sentir, se, perdidas fazendas e vidas, se salvara ao menos a honra; mas também esta a passos contados se vai perdendo; e aquele nome português, tão celebrado nos anais da fama, já o herege insolente com as vitórias o afronta, e o gentio de que estamos cercados, e que tanto o venerava e temia, já o despreza. Com tanta propriedade como isto descreve David neste Salmo nossas desgraças, contrapondo o que somos hoje ao que fomos enquanto Deus queria, para que na experiência presente cresça a dor por oposição com a memória do passado. Ocorre aqui ao pensamento o que não é lícito sair à língua, e não falta quem discorra tacitamente, que a causa desta diferença tão notável foi a mudança da monarquia. Não havia de ser assim (dizem) se vivera um D. Manuel, um D. João o Terceiro, ou a fatalidade de um Sebastião não sepultara com ele os reis portugueses. Mas o mesmo Profeta no
mesmo Salmo nos dá o desengano desta falsa imaginação: Tu es ipse rex meus et Deus meus: qui mandas salutes Jacob. O Reino de Portugal, como o mesmo Deus nos declarou na sua fundação, é reino seu e não nosso: Volo enim in te et in semine tuo imperium mihi stabilire, e como Deus é o rei: Tu es ipse rex meus et Deus meus; e este rei é o que manda e o que governa: Qui mandas salutes Jacob, ele que não se muda é o que causa estas diferenças, e não os reis que se mudaram. À vista, pois, desta verdade certa e sem engano, esteve um pouco suspenso o nosso Profeta na consideração de tantas calamidades, até que para remédio delas o mesmo Deus, que o alumiava, lhe inspirou um conselho altíssimo, nas palavras que tomei por tema:
Exurge, quare obdormis, Domine? Exurge, et ne repellas in finem. Quare faciem tuam avertis, oblivisceris inopiae nostrae et tribulationis nostrae? Exurge, Domine, adjuva nos et redime nos propter nomen tuum. Não prega David ao povo, não o exorta ou repreende, não faz contra ele invectivas, posto que bem merecidas; mas todo arrebatado de um novo e extraordinário espírito, se volta não só a Deus, mas piedosamente atrevido contra ele. Assim como Marta disse a Cristo: Domine, non est tibi curae? assim estranha David reverentemente a Deus, e quase o acusa de descuidado. Queixa-se das desatenções de sua misericórdia e providência, que isso é considerar a Deus dormindo: Exurge! Quare obdormis, Domine? Repete-lhe que acorde e que não deixe chegar os danos ao fim, permissão indigna de sua piedade: Exurge, et ne repellas in finem. Pede-lhe a razão por que aparta de nós os olhos e não volta o rosto: Quare faciem tuam avertis?, e por que se esquece da nossa miséria e não faz caso de nossos trabalhos: Oblivisceris inopiae nostrae et tribulationis nostrae? E não só pede de qualquer modo esta razão do que Deus faz e permite, senão que insta a que lha dê, uma e outra vez:
Quare obdormis? Quare oblivisceris? Finalmente, depois destas perguntas, a que supõe que não tem Deus resposta, e destes argumentos com que presume o tem convencido, protesta diante do tribunal de sua justiça e piedade, que tem obrigação de nos acudir, de nos ajudar e de nos libertar logo: Exurge, Domine, adjuva nos et redime nos. E para mais obrigar ao mesmo Senhor, não protesta por nosso bem e remédio, senão por parte da sua honra e glória: Propter nomen tuum. Esta é, Todo-Poderoso e Todo-Misericordioso Deus, esta é a traça de que usou para render vossa piedade, quem tanto se conformava com vosso coração. E desta usarei eu também hoje, pois o estado em que nos vemos, mais é o mesmo que semelhante. Não hei de pregar hoje ao povo, não hei de falar com os homens; mais alto hão de sair as minhas palavras ou as minhas vozes: a vosso peito divino se há de dirigir todo o sermão. É este o último de quinze dias contínuos, em que todas as igrejas desta Metrópole, a esse mesmo trono de vossa patente Majestade, têm representado suas deprecações; e, pois, o dia é o último, justo será que nele se acuda tão bem ao último e único remédio. Todos estes dias se cansaram debalde os oradores evangélicos em pregar penitência aos homens; e, pois, eles se não converteram, quero eu, Senhor, converter-vos a vós. Tão presumido venho da vossa misericórdia, Deus meu, que ainda que nós somos os pecadores, vós haveis de ser o arrependido. O que venho a pedir ou protestar, Senhor, é que nos ajudeis e nos liberteis: Adjuva nos, et redime nos. Mui conformes são estas petições ambas ao lugar e ao tempo. Em tempo que tão oprimidos e tão cativos estamos, que devemos pedir com maior necessidade, senão que nos liberteis: Redime nos? E na casa da Senhora da Ajuda, que devemos esperar com maior confiança, senão que nos ajudeis: Adjuva nos? Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade que tem quem não pede favor, senão justiça. Se a causa fora só nossa e eu viera a rogar só por nosso remédio, pedira favor e misericórdia. Mas como a causa, Senhor, é mais vossa que nossa, e como venho a requerer por parte de vossa honra e glória, e pelo crédito de vosso nome – Propter nomen tuum – razão é que peça só razão, justo é que peça só justiça. Sobre este pressuposto vos hei de arguir, vos hei de argumentar; e confio tanto da vossa razão e da vossa benignidade, que também vos hei de convencer. Se chegar a me queixar de vós e a acusar as dilatações de vossa justiça, ou as desatenções de vossa misericórdia: Quare obdormis? Quare oblivisceris? não será esta vez a primeira em que sofrestes semelhantes excessos a quem advoga por vossa causa. As custas de toda a demanda também vós, Senhor, as haveis de pagar, porque me há de dar vossa mesma graça as razões com que vos hei de arguir, a eficácia com que vos hei de apertar e todas as armas com que vos hei de render. E se para isto não bastam os merecimentos da causa, suprirão os da Virgem Santíssima, em cuja ajuda principalmente confio. Ave Maria.

II
Exurge! Quare obdormis, Domine? Querer argumentar com Deus e convencê-lo com razões, não só dificultoso assunto parece, mas empresa declaradamente impossível, sobre arrojada temeridade. O homo, tu quis es, qui respondeas Deo? Nunquid dicit figmentum ei qui se finxit: Quid me fecisti sic?
“Homem atrevido – diz S. Paulo – homem temerário, quem és tu, para que te ponhas a altercar com Deus? Porvent ura o barro que está na roda e entre as mãos do oficial, põe-se às razões com ele e diz- lhe: por que me fazes assim?” Pois se tu és barro, homem mortal, se te formaram as mãos de Deus da matéria vil da terra, como dizes ao mesmo Deus: – Quare? Quare? – Como te atreves a argumentar com a sabedoria divina, como pedes razão à sua Providência do que te faz ou deixa de fazer? Quare obdormis? Quare faciem tuam avertis? Venera suas permissões, reverencia e adora seus ocul-
tos juízos, encolhe os ombros com humildade a seus decretos soberanos, e farás o que te ensina a Fé e o que deves à criatura. Assim o fazemos, assim o confessamos, assim o protestamos diante de vossa Majestade infinita, ime n-
so Deus, incompreensível bondade: Justus es, Domine, et rectum judicium tuum. Por mais que nós não saibamos entender vossas obras, por mais que não possamos alcançar vossos conselhos, sempre sois justo, sempre sois
santo, sempre sois infinita bondade; e ainda nos maiores rigores de vossa justiça, nunca chegais com a severidade do castigo aonde nossas culpas merecem. Se as razões e argumentos da nossa causa as houvéramos de fundar em merecimentos próprios, temeridade fora grande, antes impiedade manifesta, querer- vos arguir. Mas nós, Senhor, como protestava o vosso profeta Daniel: Neque enim in justificationibus nostris, prosternimus preces ante faciem tuam, sed in miserationibus tuis multis: os requerimentos, e razões deles, que humildemente presentamos ante vosso divino conspecto, as apelações ou embargos que interpomos à execução e continuação dos castigos que padecemos, de nenhum modo os fundamos na presunção de nossa justiça, mas todos na multidão de vossas misericórdias: In miserationibus tuis
multis. Argumentamos, sim, mas de vós para vós; apelamos, mas de Deus para Deus – de Deus justo, para Deus misericordioso. E como do peito, Senhor, vos hão de sair todas as setas, mal poderão ofender vossa bondade.
Mas porque a dor quando é grande sempre arrasta o afecto, e o acerto das palavras é descrédito da mesma dor, para que o justo sentimento dos males presentes não passe os limites sagrados de quem fala diante de Deus e com Deus, em tudo o que me atrever a dizer seguirei as pisadas sólidas dos que em semelhantes ocasiões, guiados por vosso mesmo espírito, oraram e exoraram vossa piedade.
Quando o povo de Israel no deserto cometeu aquele gravíssimo pecado de idolatria, adorando o ouro das suas jóias na imagem bruta de um bezerro, revelou Deus o caso a Moisés, que com ele estava, e acrescentou irado e resoluto, que daquela vez havia de acabar para sempre com uma gente tão ingrata, e que a todos havia de assolar e consumir, sem que ficasse rasto de tal geração: Dimitte me, ut irascitur furor meus contra eos et deleam eos. Não lhe sofreu, porém, o coração ao bom Moisés ouvir falar em destruição e assolação do seu povo; põe-se em campo, opõe-se à ira divina e
começa a arrazoar assim: Cur, Domine, irascitur furor tuus contra populum tuum? “E bem, Senhor, por que razão se indigna tanto a vossa ira contra o vosso povo?” Por que razão, Moisés?! E ainda vós quereis mais justificada
razão a Deus?! Acaba de vos dizer que está o povo idolatrando; que está adorando um animal bruto; que está negando a divindade ao mesmo Deus e dando-a a uma estátua muda, que acabaram de fazer suas mãos, e atribuin-
do-lhe a ela a liberdade e triunfo com que os livrou do cativeiro do Egito, e sobre tudo isso ainda perguntais a Deus por que razão se agasta: Cur irascitur furor tuus?! – Sim, e com muito prudente zelo; porque ainda que da parte do povo havia muito grandes razões de ser castigado, da parte de Deus era maior a razão que havia de o não castigar: Ne, quaeso, – dá razão Moisés, – ne, quaeso, dicant Aegyptii: Callide eduxit eos, ut interficeret in montibus et deleret e terra. Olhai, Senhor, que porão mácula os egípcios em vosso ser, e, quando menos, em vossa verdade e bondade. Dirão que, cautelosamente e à falsa fé, nos trouxestes a este deserto, para aqui nos tirardes a vida a todos e nos sepultardes. E com esta opinião divulgada e assentada entre eles, qual será o abatimento de vosso santo nome, que tão respeitado e exaltado deixastes no mesmo Egipto, com tantas e tão prodigiosas maravilhas do vosso poder? Convém logo, para conservar o crédito, dissimular o castigo e não dar com ele ocasião àqueles gentios e aos outros, em cujas terras estamos, ao que dirão: Ne, quaeso, dicant.
Desta maneira arrazoou Moisés em favor do povo; e ficou tão convencido Deus da força deste argumento, que no mesmo ponto revogou a sentença, e, conforme o texto hebreu, não só se arrependeu da execução, senão ainda do pensamento: Et poenituit Dominum mali, quod cogitaverat facere populo suo. E arrependeu-se o Senhor do pensamento e da imaginação que tivera de castigar o seu povo. Muita razão tenho eu logo, Deus meu, de esperar que haveis de sair deste sermão arrependido, pois sois o mesmo que éreis, e não menos amigo agora, que nos tempos passados, de vosso nome: Propter nomen tuum. Moisés disse-vos: Ne, quaeso, dicant: “Olhai, senhor, que dirão.” E eu digo e devo dizer: Olhai, senhor, que já dizem. Já dizem os hereges insolentes com os sucessos prósperos, que vós lhes dais ou permitis: já dizem que porque a sua, que eles chamam religião, é a verdadeira, por isso Deus os ajuda e vencem; e porque a nossa é errada e falsa, por isso nos desfavorece e somos vencidos. Assim o dizem, assim o pregam, e ainda mal, porque não faltará quem os creia.
Pois é possível, Senhor, que hão de ser vossas permissões argumentos contra vossa Fé? É possível que se hão de ocasionar de nossos castigos blasfémias contra vosso nome?! Que diga o herege (o que treme de o pronunciar a língua), que diga o herege, que Deus está holandês?! Oh não permitais tal, Deus meu, não permitais tal, por quem sois! Não o digo por nós, que pouco ia em que nos castigásseis; não o digo pelo Brasil, que pouco ia em que o destruísseis; por vós o digo e pela honra de vosso Santíssimo Nome, que tão imprudentemente se vê blasfemado: Propter nomen tuum. Já que o pérfido calvinista dos sucessos que só lhe merecem nossos pecados faz argumento da religião, e se jacta insolente e blasfemo de ser a sua verdadeira, veja ele na roda dessa mesma fortuna, que o desvanece, de que parte está a verdade. Os ventos e tempestades, que descompõem e derrotam as nossas armadas, derrotem e desbaratem as suas; as doenças e pestes, que diminuem e enfraquecem os nossos exércitos, escalem as suas muralhas e despovoem os seus presídios, os conselhos que, quando vós quereis castigar, se corrompem, em nós sejam alumiados e neles enfatuados e confusos. Mude a vitória as insígnias, desafrontem-se as cruzes católicas, triunfem as vossas chagas nas nossas bandeiras, e conheça humilhada e desenganada a perfídia, que só a Fé romana, que professamos, é Fé, e só ela a verdadeira e a vossa. Mas ainda há mais quem diga. Ne, quaeso, dicant Aegyptii: Olhai, Senhor, que vivemos entre gentios, uns que o são, outros que o foram ontem; e estes que dirão? Que dirá o Tapuia bárbaro sem conhecimento de Deus? Que dirá o Índio inconstante, a quem falta a pia afeição da nossa Fé? Que dirá o Etíope boçal, que apenas foi molhado com a água do baptismo sem mais doutrina? Não há dúvida que todos estes, como não têm capacidade para sondar o profundo de vossos juízos, beberão o erro pelos olhos.
Dirão, pelos efeitos que vêem, que a nossa Fé é falsa, e a dos holandeses a verdadeira, e crerão que são mais cristãos, sendo como eles. A seita do herege torpe e brutal concorda mais com a brutalidade do bárbaro; a largueza e soltura da vida, que foi a origem e é o fomento da heresia, casa-se mais com os costumes depravados e corrupção do gentilismo; e que pagão haverá que se converta à Fé que lhe pregamos, ou que novo cristão já convertido, que se não perverta, entendendo e persuadindo-se uns e outros que no herege é premiada a sua lei, e no Católico se castiga a nossa? Pois se estes são os efeitos, posto que não pretendidos, de vosso rigor e castigo, justamente começado em nós, se ateia e passa com tanto dano aos que não são cúmplices das nossas culpas: Cur irascitur furor tuus? Por que continua sem estes
reparos o que vós mesmo chamastes furor? E por que não acabais já de embainhar a espada de vossa ira? Se tão gravemente ofendido do povo hebreu, por um que dirão dos egípcios lhe perdoastes; o que dizem os hereges, e o que dirão os gentios, não será bastante motivo para que vossa rigorosa mão suspenda o castigo e perdoe também os nossos pecados, pois, ainda que grandes, são menores?
Os hebreus adoraram o ídolo, faltaram à Fé, deixaram o culto do verdadeiro Deus, chamaram Deus e Deuses a um bezerro: e nós, por mercê de vossa bondade infinita, tão longe estamos e estivemos sempre de menor defe ito ou escrúpulo nesta parte, que muitos deixaram a pátria, a casa, a fazenda, e ainda a mulher e os filhos, e passam em suma miséria desterrados, só por não viver nem comunicar com homens que se separaram da vossa Igreja. Pois, Senhor meu e Deus meu, se por vosso amor e por vossa Fé, ainda sem perigo de a perder ou arriscar, fazem tais finezas os portugueses: Quare oblivisceris inopiae nostrae? et tribulationis nostrae? Por que vos esqueceis de tão religiosas misérias, de tão católicas tribulações? Como é possível que se ponha Vossa Majestade irada contra estes fidelíssimos servos, e favoreça a parte dos infiéis, dos excomungados, dos ímpios? Oh! como nos podemos queixar neste passo, como se queixava lastimado Jó, quando, despojado dos sabeus e caldeus, se viu, como nós nos vemos, no extremo da opressão e miséria: Nunquid bonum tibi videtur, si calumnieris me et opprimas me opus manuum tuarum et consilium impiorum adjuves? Parece-vos bem, Senhor, parece- vos bem isto? Que a mim, que sou vosso servo, me oprimais e aflijais, e aos ímpios, aos inimigos vossos os favoreçais e ajudeis? Parece- vos bem que sejam eles os prosperados e assistidos de vossa providência, e nós os deixados de vossa mão; nós os esquecidos de vossa memória, nós o exemplo de vossos rigores, nós o despojo de vossa ira? Tão pouco é desterrar-nos por vós e deixar tudo? Tão pouco é padecer trabalhos, pobrezas e os desprezos que elas trazem consigo, por vosso amor? Já a fé não tem merecimento? Já a piedade não tem valor? Já a perseverança não vos agrada? Pois se há tanta diferença entre nós, ainda que maus, e aqueles pérfidos, por que os ajudais a eles e nos desfavoreceis a nós? Nunquid bonum tibi videtur: “A vós, que sois a mesma bondade, parece-vos bem isto?”

III
Considerai, Deus meu – e perdoai- me, se falo inconsideradamente – considerai a quem tirais as terras do Brasil e a quem as dais. Tirais estas terras aos portugueses a quem nos princípios as destes; e bastava dizer a quem as dais, para perigar o crédito de vosso nome, que não podem dar nome de liberal mercês com arrependimento. Para que nos disse S. Paulo, que vós, Senhor, “quando dais, não vos arrependeis”: Sine paenitentia enim sunt dona Dei? Mas deixado isto à parte: tirais estas terras àqueles mesmos portugueses a quem escolhestes entre todas as nações do Mundo para conquistadores da vossa Fé, e a quem destes por armas como insígnia e divisa singular vossas próprias chagas. E será bem, Supremo Senhor e Governador do Universo, que às sagradas quinas de Portugal e às armas e chagas de Cristo, sucedam as heréticas listas de Holanda, rebeldes a seu rei e a Deus? Será bem que estas se vejam tremular ao vento vitoriosas, e aquelas abatidas,
arrastadas e ignominiosamente rendidas? Et quid facies magno nomini tuo?
E que fareis (como dizia Josué) ou que será feito de vosso glorioso nome em casos de tanta afronta?
Tirais também o Brasil aos portugueses, que assim estas terras vastíssimas, como as remotíssimas do Oriente, as conquistaram à custa de tantas vidas e tanto sangue, mais por dilatar vosso nome e vossa Fé (que esse era o zelo daqueles cristianíssimos reis) que por amplificar e estender seu império. Assim fostes servido que entrássemos nestes novos mundos, tão honrada e tão gloriosamente, e assim permitis que saiamos agora (quem tal imaginaria de vossa bondade!), com tanta afronta e ignomínia! Oh! como receio que não falte quem diga o que diziam os egípcios: Callide eduxit eos, ut
interficeret et deleret e terra. Que a larga mão com que nos destes tantos domínios e reinos não foram mercês de vossa liberalidade, senão cautela e dissimulação de vossa ira, para aqui fora e longe de nossa Pátria nos matardes, nos destruirdes, nos acabardes de todo. Se esta havia de ser a paga e o fruto de nossos trabalhos, para que foi o trabalhar, para que foi o servir, para que foi o derramar tanto e tão ilustre sangue nestas conquistas? Para que abrimos os mares nunca dantes navegados? Para que descobrimos as regiões e os climas não conhecidos? Para que contrastamos os ventos e as tempestades com tanto arrojo, que apenas há baixio no Oceano, que não esteja infamado com miserabilíssimos naufrágios de portugueses? E depois de tantos perigos, depois de tantas desgraças, depois de tantas e tão lastimosas mortes, ou nas praias desertas sem sepultura, ou sepultados nas entranhas dos alarves, das feras, dos peixes, que as terras que assim ganhamos, as hajamos de perder assim? Oh! quanto melhor nos fora nunca conseguir, nem intentar
tais empresas! Mais santo que nós era Josué, menos apurada tinha a paciência, e, contudo, em ocasião semelhante, não falou (falando convosco) por diferente linguagem. Depois de os filhos de Israel passarem às terras ultramarinas do
Jordão, como nós a estas, avançou parte do exército a dar assalto à cidade de Hai, a qual nos ecos do nome já parece que trazia o prognóstico do infeliz sucesso que os israelitas nela tiveram; porque foram rotos e desbaratados, posto que com menos mortos e feridos, do que nós por cá costumamos. E que faria Josué à vista desta desgraça? Rasga as vestiduras imperiais, lança-se por terra, começa a clamar ao Céu: Heu! Domine Deus, quid voluisti traducere populum istum Jordanem fluvium, ut traderes nos in manus Amor-rhaei? “Deus meu e Senhor meu, que é isto? Para que nos mandastes passar o Jordão e nos metestes de posse destas terras, se aqui nos haveis de entregar nas mãos dos amorreus e perder-nos?” Utinam mansissemus trans Jordanem! “Oh! nunca nós passáramos tal rio!” Assim se queixava Josué a Deus, e assim nos podemos nós queixar, e com muito maior razão que ele. Se este havia de ser o fim de nossas navegações, se estas fortunas nos esperavam nas terras conquistadas: “Oh! Nunca nós passáramos tal rio!”. Utinam mansissemus trans Jordanem! Prouvera a vossa Divina Majestade que nunca saíramos de Portugal, nem fiáramos nossas vidas às ondas e aos ventos, nem conhecêramos ou puséramos os pés em terras estranhas! Ganhá-las para as não lograr, desgraça foi e não ventura; possuí- las para as perder, castigo foi de vossa ira, Senhor, e não mercê, nem favor de vossa liberalidade. Se determináveis dar estas mesmas terras aos piratas de Holanda, por que lhas não destes enquanto eram agrestes e incultas, senão agora? Tantos serviços vos tem feito esta gente pervertida e apóstata, que nos mandastes primeiro cá por seus aposentadores; para lhe lavrarmos as terras, para lhe edificarmos as cidades, e depois de cultivadas e enriquecidas lhas entregardes? Assim se hão de lograr os hereges e inimigos da Fé, dos trabalhos portugueses e dos suores católicos? En queis consevimus agros! “Eis aqui para quem trabalhamos há tantos anos!” Mas pois vós, Senhor, o quereis e ordenais assim, fazei o que fordes servido. Entregai aos holandeses o Brasil, entregai- lhes as Índias, entregai-lhes as Espanhas (que não são menos perigosas as consequências do Brasil perdido); entregai-lhes quanto temos e possuímos (como já lhes entregastes tanta parte); ponde em suas mãos o Mundo; e a nós, aos portugueses e espanhóis, deixai-nos, repudiai-nos, desfazei-nos, acabai-nos. Mas só digo e lembro a Vossa Majestade, Senhor, que estes mesmos que agora desfavoreceis e lançais de vós, pode ser que os queirais algum dia, e que os não tenhais. Não me atrevera a falar assim, se não tirara as palavras da boca de Jó, que como tão lastimado, não é muito entre muitas vezes nesta tragédia. Queixava-se o exemplo da paciência a Deus (que nos quer Deus sofridos, mas não insensíveis), queixava-se do tesão de suas penas demandando e
altercando, por que se lhe não havia de remitir e afrouxar um pouco o rigor delas; e como a todas as réplicas e instâncias o Senhor se mostrasse inexorável, quando já não teve mais que dizer, concluiu assim: Ecce nunc in pulvere dormiam, et si mane me quaesieris, non subsistam. Já que não quereis, Senhor, desistir ou moderar o tormento, já que não quereis senão continuar o rigor e chegar com ele ao cabo, seja muito embora; matai-me, consumi-me, enterrai-me: Ecce nunc in pulvere dormiam; mas só vos digo e vos lembro uma coisa: que “se me buscardes amanhã, que me não haveis de achar”:
Et si mane me quaesieris, non subsistam. Tereis aos sabeus, tereis aos caldeus, que sejam o roubo e o açoite de vossa casa; mas não achareis a um Jó que a sirva, não achareis a um Jó que a venere, não achareis a um Jó, que ainda com suas chagas a não desautorize. O mesmo digo eu, senhor, que não é muito rompa nos mesmos afectos, quem se vê no mesmo estado. Abrasai, destruí, consumi-nos a todos; mas pode ser que algum dia queirais espanhóis e portugueses, e que os não acheis. Holanda vos dará os apostólicos conquistadores, que levem pelo Mundo os estandartes da cruz; Holanda vos
dará os pregadores evangélicos, que semeiem nas terras dos bárbaros a doutrina católica e a reguem com o próprio sangue; Holanda defenderá a verdade de vossos Sacramentos e a autoridade da Igreja Romana; Holanda edificará templos, Holanda levantará altares, Holanda consagrará sacerdotes e oferecerá o sacrifício de vosso Santíssimo Corpo; Holanda, enfim, vos servirá e venerará tão religiosamente, como em Amsterdão, Meldeburgo e Flisinga e em todas as outras colónias daquele frio e alagado inferno se está fazendo todos os dias.

IV
Bem vejo que me podeis dizer, Senhor, que a propagação de vossa Fé e as obras de vossa glória não dependem de nós, nem de ninguém, e que sois poderoso, quando faltem homens, para fazer das pedras filhos de Abraão. Mas também a vossa sabedoria e a experiência de todos os séculos nos têm ensinado, que depois de Adão não criastes homens de novo, que vos servis dos que tendes neste Mundo, e que nunca admitis os menos bons, senão em falta dos melhores. Assim o fizestes na parábola do banquete. Mandastes chamar os convidados que tínheis escolhido, e porque eles se escusaram e
não quiseram vir, então admitistes os cegos e mancos, e os introduzistes em seu lugar: Caecos et claudos introduc huc. E se esta é, Deus meu, a regular disposição de vossa providência divina, como a vemos agora tão trocada em nós e tão diferente connosco? Quais foram estes convidados e quais são estes cegos e mancos? Os convidados fomos nós, a quem primeiro chamastes para estas terras, e nelas nos pusestes a mesa, tão franca e abundante, como de vossa grandeza se podia esperar. Os cegos e mancos são os luteranos e calvinistas, cegos sem fé e mancos sem obras, na reprovação das quais consiste o principal erro da sua heresia. Pois se nós, que fomos os convidados, não nos escusamos nem duvidamos de vir, antes rompemos por muitos inconvenientes em que pudéramos duvidar; se viemos e nos assentamos à mesa, como nos excluís agora e lançais fora dela e introduzis violentamente os cegos e mancos, e dais os nossos lugares ao herege? Quando em tudo o mais foram eles tão bons como nós, ou nós tão maus como eles, por que nos não há de valer pelo menos o privilégio e prerrogativa da fé? Em tudo parece, Senhor, que trocais os estilos de vossa providência e mudais as leis de vossa justiça connosco. Aquelas dez virgens do vosso Evangelho todas se renderam ao sono, todas adormeceram, todas foram iguais no mesmo descuido: Dormitaverunt omnes et dormierunt. E contudo, a cinco delas passou-lhes o esposo por este defeito, e só porque conservaram as alâmpadas acesas, mereceram entrar às bodas, de que as outras foram excluídas. Se assim é, Senhor meu, se assim o julgastes então (que vós sois aquele Esposo Divino), por que não nos vale a nós também conservar as alâmpadas da Fé acesas, que no herege estão tão apagadas e tão mortas? É possível que haveis de abrir as portas a quem traz as alâmpadas apagadas, e as haveis de fechar a quem as tem acesas? Reparai, senhor, que não é autoridade do vosso divino tribunal que saíam dele no mesmo caso duas sentenças tão encontradas. Se às que deixaram apagar as alâmpadas se disse: Nescio vos; se para elas se fecharam as portas: Clausa
est janua; quem merece ouvir de vossa boca um Nescio vos tremendo, senão o herege, que vos não conhece? E a quem deveis dar com a porta nos olhos, senão ao herege, que os tem tão cegos? Mas eu vejo que nem esta cegueira, nem este desconhecimento, tão merecedores de vosso rigor, lhe retarda o progresso de suas fortunas, antes a passo largo se vêm chegando a nós suas armas vitoriosas, e cedo nos baterão às portas desta vossa cidade. Desta vossa cidade disse; mas não sei se o nome do Salvador, com que a honrastes, a salvará e defenderá, como já outra vez não defendeu; nem sei se estas nossas deprecações, posto que tão repetidas e continuadas, acharão acesso a vosso conspecto divino, pois há tantos anos que está bradando ao Céu a nossa justa dor, sem a vossa clemência dar ouvidos a nossos clamores. Se acaso for assim (o que vós não permitais), e está determinado em vosso secreto juízo que entrem os hereges na Bahia, o que só vos represento humildemente e muito deveras, é que antes da execução da sentença repareis bem, Senhor, no que vos pode suceder depois, e que o consulteis com vosso coração enquanto é tempo; porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remédio. Bem estais na intenção e alusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Também antes do dilúvio estáveis vós mui colérico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aqueles cem anos, nunca houve remédio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se, enfim, as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o Mundo todo: já estaria satisfeita a vossa justiça. Senão quando, ao terceiro dia, começaram a boiar os corpos mortos, e a surgir e aparecer em multidão infinita aquelas
figuras pálidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragédia que nunca viram os anjos, que homens que a vissem não os havia. Vistes vós também (como se o vísseis de novo) aquele lastimosíssimo espectáculo, e posto que não chorastes, porque ainda não tínheis olhos capazes de lágrimas, enterneceram-se, porém, as entranhas de vossa Divindade, “com tão intrínseca dor”: Tactus dolore cordis intrinsecus que, do modo que em vós cabe arrependimento, vos arrependestes do que tínheis feito ao Mundo; e foi tão inteira a vossa contrição, que não só tivestes pesar do passado, senão propósito firme de nunca mais o fazer: Nequanquam ultra maledicam terrae propter homines.
Este sois, Senhor, este sois; e pois sois este não vos tomeis com vosso coração. Para que é fazer agora valentias contra ele, se o seu sentimento, e o vosso as há de pagar depois? Já que as execuções de vossa justiça custam arrependimento à vossa bondade, vede o que fazeis antes que o façais, não vos aconteça outra. E para que o vejais com cores humanas, que já vos não são estranhas, dai-me licença que eu vos represente primeiro ao vivo as lástimas e misérias deste futuro dilúvio, e se esta representação vos não enternecer e tiverdes entranhas para o ver sem grande dor, executai-o embora.
Finjamos, pois (o que até fingido e imaginado faz horror); finjamos que vem a Bahia e o resto do Brasil a mãos dos holandeses; que é o que há de suceder em tal caso? – Entrarão por esta cidade com fúria de vencedores e de hereges; não perdoarão a estado, a sexo nem a idade; com os fios dos mesmos alfanjes medirão a todos; chorarão as mulheres, vendo que se não guarda decoro à sua modéstia; chorarão os velhos, vendo que se não guarda respeito a suas cãs; chorarão os nobres, vendo que se não guarda cortesia à sua qualidade; chorarão os religiosos e veneráveis sacerdotes, vendo que até as coroas sagradas os não defendem; chorarão finalmente todos, e entre todos mais lastimosamente os inocentes, porque nem a esses perdoará (como em outras ocasiões não perdoou), a desumanidade herética. Sei eu, Senhor, que só por amor dos inocentes dissestes vós alguma hora, que não era bem castigar a Nínive. Mas não sei que tempos, nem que desgraça é esta nossa, que até a mesma inocência vos não abranda. Pois também a vós, Senhor, vos há de alcançar parte do castigo (que é o que mais sente a piedade cristã), também a vós há de chegar. Entrarão os hereges nesta igreja e nas outras; arrebatarão essa custódia, em que agora estais adorado dos anjos; tomarão os cálices e vasos sagrados, e aplicá- los-ão a suas nefandas embriaguezes; derrubarão dos altares os vultos e estátuas dos santos, deformá- las-ão a cutiladas, e metê-las-ão no fogo; e não perdoarão as mãos furiosas e sacrílegas nem às imagens tremendas de Cristo crucificado, nem às da Virgem Maria.
Não me admiro tanto, Senhor, de que hajais de consentir semelhantes agravos e afrontas nas vossas imagens, pois já as permitistes em vosso sacratíssimo corpo; mas nas da Virgem Maria, nas de vossa Santíssima Mãe, não sei como isto pode estar com a piedade e amor de Filho. No Monte Calvário esteve esta Senhora sempre ao pé da cruz, e com serem aqueles algozes tão descorteses e cruéis, nenhum se atreveu a lhe tocar nem a lhe perder o respeito. Assim foi e assim havia de ser, porque assim o tínheis vós prometido pelo Profeta: Flagellum non appropinquabit tabernaculo tuo. Pois, Filho da Virgem Maria, se tanto cuidado tivestes então do respeito e decoro de vossa Mãe, como consentis agora que se lhe façam tantos desacatos? Nem me digais, Senhor, que lá era a pessoa, cá a imagem. Imagem somente da mesma Virgem era a Arca do Testamento, e só porque Oza a quis tocar, lhe tirastes a vida. Pois se então havia tanto rigor para quem ofendia a imagem de Maria, por que o não há também agora? Bastava então qualquer dos outros desacatos às coisas sagradas, para uma severíssima demonstração vossa, ainda milagrosa. Se a Jeroboão, por que levantou a mão para um Profeta, se lhe secou logo o braço milagrosamente, como aos hereges, depois de se atreverem a afrontar vossos santos, lhes ficam ainda braços para outros delitos? Se a Baltasar, por beber pelos vasos do templo, em que não se consagrava vosso sangue, o privastes da vida e do reino, por que vivem os hereges, que convertem vossos cálices a usos profanos? Já não há três dedos que escrevam sentença de morte contra sacrílegos?!
Enfim, Senhor, despojados assim os templos e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica; acabar-se-á o culto divino; nascerá erva nas igrejas, como nos campos; não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas, como diz Jeremias que choravam as de Jerusalém destruída: Viae Sion lugent, eo quod non s qui veniant ad int solemnitatem. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa a devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias. Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as digam; morrerão os católicos sem confissão nem sacramentos; pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e em lugar de São Jerónimo e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegar-se-ão neles os infames nomes de Calvino e Lutero; beberão a falsa doutrina os inocentes que ficarem, relíquias dos portugueses; e chegaremos a estado que, se perguntarem aos filhos e netos dos que aqui estão: – Menino, de que seita sois? Um responderá: – Eu sou calvinista; outro: – Eu sou luterano.
Pois isto se há de sofrer, Deus meu? Quando quisestes entregar vossas ovelhas a São Pedro, examinaste- lo três vezes se vos amava: Diligis me, diligis me, diligis me? E agora as entregais desta maneira, não a pastores, senão aos lobos?! Sois o mesmo, ou sois outro? Aos hereges o vosso rebanho? Aos hereges as almas? Como tenho dito, e nomeei almas, não vos quero dizer mais. Já sei, Senhor, que vos haveis de enternecer e arrepender, e que não haveis de ter coração para ver tais lástimas e tais estragos. E se assim é (que assim o estão prometendo vossas entranhas piedosíssimas), se é que há de haver dor, se é que há de haver arrependimento depois, cessem as iras, cessem as execuções agora, que não é justo vos contente antes o de que vos há de pesar em algum tempo. Muito honrastes, Senhor, ao homem na criação do Mundo, formandoo com vossas próprias mãos, informando-o e animando-o com vosso próprio alento e imprimindo nele o carácter de vossa imagem e semelhança. Mas parece que logo desde aquele me smo dia vos não contentastes dele, porque de todas as outras coisas que criastes, diz a Escritura que vos pareceram bem: Vidit Deus quod esset bonum; e só do homem o não diz. Na admiração desta misteriosa reticência andou desde então suspenso e vacilando o juízo
humano, não podendo penetrar qual fosse a causa por que, agradando-vos com tão pública demonstração todas as vossas obras, só do homem, que era a mais perfeita de todas, não mostrásseis agrado. Finalmente, passados mais
de mil e setecentos anos, a mesma Escritura, que tinha calado aquele mistério, nos declarou que vós estáveis arrependido de ter criado o homem: Paenituit eum quod hominem fecisset in terra, e que vós mesmo dissestes que
vos pesava: Paenitet me fecisse eos; e então ficou patente e manifesto a todos o segredo que tantos tempos tínheis ocultado. E vós, Senhor, dizeis que vos pesa e que estais arrependido de ter criado o homem; pois essa é a causa por que logo desde o princípio de sua criação vos não agradastes dele, nem quisestes que se dissesse que vos parecera bem, julgando, como era razão, por coisa muito alheia de vossa sabedoria e providência, que em nenhum tempo vos agradasse nem parecesse bem aquilo de que depois vos havíeis de arrepender e ter pesar de ter feito: Paenitet me fecisse. Sendo, pois, esta a condição verdadeiramente divina e a altíssima razão de estado de vossa providência – não haver jamais agrado do que há de haver arrependimento; e sendo também certo nas piedosíssimas entranhas de vossa misericórdia, que se permitirdes agora as lástimas, as misérias, os estragos que tenho representado, é força que vos há de pesar depois e vos haveis de arrepender, arrependei- vos, misericordioso Deus, enquanto estamos em tempo, ponde em nós os olhos de vossa piedade, ide à mão à vossa irritada justiça, quebre vosso amor as setas de vossa ira, e não permitais tantos danos, e tão irreparáveis. Isto é o que vos pedem, tantas vezes prostradas diante de vosso divino acatamento, estas almas tão fielmente católicas, em nome seu e de todas as deste Estado. E não vos fazem esta humilde deprecação pelas perdas temporais, de que cedem, e as podeis executar neles por outras vias; mas pela perda espiritual eterna de tantas almas, pelas injúrias de vossos templos e altares, pela exterminação do sacrossanto sacrifício de vosso corpo e sangue, e pela ausência insofrível, pela ausência e saudades desse Santíssimo Sacramento, que não sabemos quanto tempo teremos presente.

V
Chegado a este ponto, de que não sei nem se pode passar, parece-me que nos está dizendo vossa divina e humana bondade, Senhor, que o fizéreis assim facilmente, e vos deixaríeis persuadir, e convencer destas nossas razões, senão que está clamando por outra parte vossa divina justiça; e como sois igualmente justo e misericordioso, que não podeis deixar de castigar, sendo os pecados do Brasil tantos e tão grandes. Confesso, Deus meu, que assim é, e todos confessamos que somos grandíssimos pecadores. Mas tão longe estou de me aquietar com esta resposta, que antes esses mesmos pecados muitos e grandes são um novo e poderoso motivo dado por vós mesmo para mais convencer vossa bondade. A maior força dos meus argumentos não consistiu em outro fundamento até agora, que no crédito, na honra e na glória de vosso santíssimo nome: Propter nomen tuum. E que motivo posso eu oferecer mais glorioso ao mesmo nome, que serem muitos e grandes os nossos pecados? Propter nomen tuum, Domine, propitiaberis peccato meo: multum est enim: “Por
amor de vosso nome, Senhor, estou certo – dizia David – que me haveis de perdoar meus pecados, porque não são quaisquer pecados, senão muitos e grandes.” Multum est enim. Oh! motivo digno só do peito de Deus! Oh! consequência que só na suma bondade pode ser forçosa! De maneira que, para lhe serem perdoados seus pecados, alegou um pecador a Deus que são muitos e grandes. Sim; e não por amor do pecador, nem por amor dos pecados, senão por amor da honra e glória do mesmo Deus, a qual quanto mais e maiores são os pecados que perdoa, tanto maior é e mais engrandece e exalta o seu santíssimo nome: Propter nomen tuum, Domine, propitiaberis peccato meo: multum est enim. O mesmo David distingue na misericórdia de Deus grandeza e multidão. A grandeza: Secundum magnam misericordiam tuam; a multidão: Et secundum multitudinem miserationum tuarum. E como a grandeza da misericórdia divina é imensa e a multidão de suas misericórdias infinita; e o imenso não se pode medir, nem o infinito contar; para que uma e outra, de algum modo, tenha proporcionada matéria de glória, importa à mesma grandeza da misericórdia que os pecados sejam grandes e à
mesma multidão das misericórdias, que sejam muitos: Multum est enim. Razão tenho eu logo, Senhor, de me não render à razão de serem muitos e grandes no ssos pecados. E razão tenho também de instar em vos pedir a razão por que não desistis de os castigar: Quare obdormis? Quare faciem tuum avertis? Quare oblivisceris inopiae et tribulationis nostrae?
Esta mesma razão vos pediu Jó quando disse: Cur non tollis peccatum meum et quare non aufers iniquitatem meam? E posto que não faltou um grande intérprete de vossas Escrituras que arguísse por vossa parte, enfim se deu por vencido e confessou que tinha razão Jó em vo- la pedir: Criminis in loco Deo impingis, quod ejus, qui deliquit, non miseretur? – diz S. Cirilo Alexandrino – Basta, Jó, que criminais e acusais a Deus de que castiga vossos pecados? Nas mesmas palavras confessais que cometestes pecados e maldades; e com as mesmas palavras pedis razão a Deus por que as castiga?
Isto é dar a razão, e mais pedi- la. Os pecados e maldades, que não ocultais, são a razão do castigo: pois se dais a razão, por que a pedis? – Porque ainda que Deus para castigar os pecados, tem a razão de sua justiça, para os perdoar e desistir do castigo, tem outra razão maior, que é a da sua glória: Qui enim misereri consuevit, et non vulgarem in eo gloriam habet; ob quam causam mei non miseretur? Pede razão Jó a Deus, e tem muita razão de a pedir (responde por ele o mesmo santo, que o arguiu), porque, se é condição de Deus usar de misericórdia, e é grande e não vulgar a glória que adquire em perdoar pecados, que razão tem, ou pode dar bastante, de os não perdoar? O mesmo Jó tinha já declarado a força deste seu argumento nas palavras antecedentes com energia para Deus muito forte: Peccavi, quid faciam tibi? Como se dissera: “Se eu fiz, Senhor, como homem em pecar, que razão tendes vós para não fazer, como Deus, em me perdoar?” Ainda disse e quis dizer mais: Peccavi, quid faciam tibi? “Pequei, que mais posso fazer?” E que fizestes vós, Jó, a Deus, em pecar? – Não lhe fiz pouco; porque lhe dei ocasião a me perdoar, e perdoando- me, ganhar muita glória. Eu dever-lhe-ei
a ele, como a causa, a graça que me fizer; e ele dever- me-á a mim, como ocasião, a glória que alcançar. E se é assim, Senhor, sem licença, nem encarecimento; se é assim, misericordioso Deus, que em perdoar pecados se aumenta a vossa glória, que é o fim de todas as vossas ações; não digais que nos não perdoais, porque são muitos e grandes os nossos pecados, que antes porque são muitos e grandes, deveis dar essa grande glória à grandeza e multidão de vossas misericórdias. Perdoando-nos e tendo piedade de nós, é que haveis de ostentar a soberania de vossa majestade, e não castigando-nos, em que mais se abate vosso poder, do que se acredita. Vede-o neste último castigo, em que, contra toda a esperança do mundo e do tempo, fizestes que se derrotasse a nossa armada, a maior que nunca passou a Equinocial. Pudestes, Senhor, derrotá- la; e que grande glória foi de vo ssa omnipotência poder o que pode o vento? Contra folium, quod vento rapitur, ostendis potentiam. Desplantar uma nação, como nos ides desplantando, e plantar outra, também é poder que vós cometestes a um homenzinho de Anatote: Ecce constitui te super gentes et super regna, ut evellas et destruas et disperdas et dissipes et aedifices et plantes. O em que se manifesta a majestade, a grandeza e a glória de vossa infinita omnipotência, é em perdoar e usar de misericórdia: Qui omnipotentiam tuam, parcendo maxime, et miserando, manifestas. Em castigar, venceis-nos a nós, que somos criaturas fracas; mas em perdoar, venceis-vos a vós mesmo, que sois todo poderoso e infinito. Só esta vitória é digna de vós, porque só vossa misericórdia pode pelejar com armas iguais contra vossa justiça; e sendo infinito o vencido, infinita fica a glória do vencedor. Perdoai, pois, benigníssimo Senhor, por esta grande glória vossa: Propter magnam gloriam tuam: perdoai por esta glória imensa de vosso santíssimo nome: Propter nomen tuum.
E se acaso ainda reclama vossa divina justiça, por certo, não já misericordioso, senão justíssimo Deus, que também a mesma justiça se pudera dar por satisfeita com os rigores e castigos de tantos anos. Não sois vós, enquanto justo, aquele justo juiz de quem canta o vosso Profeta: Deus Judex justus, fortis et patiens, nunquid irascitur per singulos dies? Pois se a vossa ira, ainda como de justo juiz, não é de todos os dias nem de muitos, por que se não dará por satisfeita com rigores de anos e tantos anos? Sei eu, Legislador Supremo, que nos casos de ira, posto que justificada, nos manda vossa santíssima Lei que não passe de um dia, e que antes de se pôr o Sol tenhamos perdoado: Sol non occidat super iracundiam vestram. Pois se da fraqueza humana, e tão sensitiva, espera tal moderação nos agravos vossa mesma Lei, e lhe manda que perdoe e se aplaque em termo tão breve e tão preciso, vós, que sois Deus infinito e tendes um coração tão dilatado como vossa mesma imensidade, e em matéria de perdão vos propondes aos homens por exemplo, como é possível que os rigores de vossa ira se não abrandem em tantos anos, e que se ponha e torne a nascer o Sol tantas e tantas vezes, vendo sempre desembainhada e correndo sangue a espada de vossa vingança? Sol de justiça cuidei eu que vos chamavam as Escrituras, porque, ainda quando mais fogoso e ardente, dentro do breve espaço de doze horas, passava o rigor de vossos raios; mas não o dirá assim este Sol material que nos alumia e rodeia, pois há tantos dias e tantos anos que, passando duas vezes sobre nós de um trópico a outro, sempre vos vê irado.
Já vos não alego, Senhor, com o que dirá a Terra e os homens, mas com o que dirá o Céu e o mesmo Sol. Quando Josué mandou parar o Sol, as palavras da língua hebraica em que lhe falou, foram, não que parasse, senão que se calasse: Sol tace contra Gabaon. Calar mandou ao Sol o valente capitão, porque aqueles resplandores amortecidos com que se ia sepultar no Ocaso, eram umas línguas mudas com que o mesmo Sol o murmurava de demasiadamente vingativo; eram umas vozes altíssimas, com que desde o Céu lhe lembrava a Lei de Deus, e lhe pregava que não podia continuar a vingança, pois ele se ia meter no Ocidente: Sol non occidat super iracundiam vestram. E se Deus, como autor da mesma Lei, ordenou que o Sol parasse, e aquele dia (o maior que viu o Mundo) excedesse os termos da natureza por muitas horas e fosse o maior, foi para que, concordando a justa lei com a justa vingança, nem por uma parte se deixasse de executar o rigor do castigo, nem por outra se dispensasse no rigor do preceito. Castigue-se o gabaonita, pois é justo castigá- lo; mas esteja o Sol parado até que se acabe o castigo, para que a ira, posto que justa, do vencedor, não passe os limites de um dia.
Pois se este é, Senhor, o termo prescrito de vossa Lei; se fazeis milagres e tais milagres para que ela se conserve inteira, e se Josué manda calar e emudecer o Sol, porque se não queixe e dê vo zes contra a continuação de sua ira, que quereis que diga o mesmo Sol, não parado nem emudecido? Que quereis que diga a Lua e as estrelas, já cansadas de ver nossas misérias?
Que quereis que digam todos esses céus criados, não para apregoar vossas justiças, senão para cantar vossas glórias: Coeli enarrant gloriam Dei? Finalmente, benigníssimo Jesus, verdadeiro Josué e verdadeiro Sol, seja o epílogo e conclusão de todas as nossas razões o vosso mesmo nome: Propter nomen tuum. Se o Sol estranha a Josué rigores de mais de um dia, e Josué manda calar o Sol, porque lhos não estranhe; como pode estranhar vossa divina justiça que useis connosco de misericórdia, depois da execução de tantos e tão rigorosos castigos continuados, não por um dia ou muitos dias de doze horas, senão por tantos e tão compridos anos, que cedo serão doze? Se sois Jesus, que quer dizer Salvador, sede Jesus e sede Salvador nosso. Se sois Sol e Sol de justiça, antes que se ponha o deste dia, deponde os rigores da vossa. Deixai já o signo rigoroso de Leão, e dai um passo ao signo de Virgem, signo propício e benéfico. Recebei influências humanas, de quem recebestes a humanidade. Perdoai-nos, Senhor, pelos merecimentos da Virgem Santíssima. Perdoai- nos por seus rogos, ou perdoai-nos por seus impérios; que, se como criatura vos pede por nós o perdão, como Mãe vos
pode mandar e vos manda que nos perdoeis. Perdoai- nos, enfim, para que a vosso exemplo perdoemos; e perdoai- nos também a exemplo nosso, que todos desde esta hora perdoamos a todos por vosso amor: Dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Amen.

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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, participa hoje, em Luanda (Angola), da 16ª Reunião

Antonio Patriota

Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Durante o encontro, os chanceleres vão debater a intensificação das relações econômicas entre os estados-membros e o papel da CPLP na Organização das Nações Unidas (ONU).

Também devem aprovar projetos de resolução no âmbito do programa de reforma do setor de segurança e defesa da Guiné-Bissau; a Estratégia Regional de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP; e a realização, no Brasil, do Fórum da Sociedade Civil da CPLP.

Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/politica/noticias/conselho-de-ministros-de-paises-de-lingua-portuguesa-se-reune-em-angola

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Rio de Janeiro, 17 jun (Lusa) — O ministro das Relações Exteriores, António Patriota, afirmou hoje que o Brasil deseja ser um “parceiro muito próximo” de Moçambique e ajudar nos seus esforços para o crescimento económico.

Rio de Janeiro, 17 jun (Lusa) — O ministro das Relações Exteriores, António Patriota, afirmou hoje que o Brasil deseja ser um “parceiro muito próximo” de Moçambique e ajudar nos seus esforços para o crescimento económico.

“Moçambique é uma democracia vibrante na África, um país que está a crescer, a encontrar um caminho de desenvolvimento também com inclusão social, e o Brasil deseja ser um parceiro muito próximo nos seus esforços de desenvolvimento”, afirmou.

O chanceler brasileiro fez as declarações após se ter reunido com o seu homólogo moçambicano, Oldemiro Baloi, que visita pela segunda vez o Brasil.

Patriota lembrou que Moçambique é hoje o principal destino da ajuda externa fornecida pelo Brasil e elogiou as opiniões do colega moçambicano a respeito da inserção do continente africano nos temas da agenda global.

“É um interlocutor que eu valorizo muito e durante esse tempo que nos encontramos apreciei muito as análises que fez o chanceler a respeito da África, sobre questões que fazem parte da agenda do Conselho de Segurança, e que são muito importantes”, comentou.

Baloi declarou que Moçambique considera o Brasil um parceiro estratégico e destacou os efeitos positivos que os investimentos de empresas brasileiras têm gerado no seu país.

“O Brasil é um dos países que melhor responde a um dos desafios críticos que Moçambique tem, que é trazer o nível do desenvolvimento económico ao nível que já se encontram as relações políticas e diplomáticas”, considerou.

Além das relações entre governos, grandes empresas brasileiras como a mineradora Vale e a construtora Odebrecht possuem investimentos na nação africana.

Os laços entre os dois países foram intensificados ao longo dos oito anos do governo do presidente Lula da Silva, que defendeu uma política externa de aproximação com os países do sul.

Fonte: http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2011/06/17/diplomacia-brasil-quer-ser-um-parceiro-muito-proximo-de-mocambique

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As festas antoninas animam por estes dias vários concelhos minhotos, que teimam em lhes dar continuidade, ano após

Santo António

Santo António

ano.

Vila Verde, Amares e Vila Nova de Famalicão são terras onde o Santo António ainda tem a importância de outros tempos, por isso, levam a cabo, cada um à sua maneira, programas festivos animados, recheados de espectáculos musicais, fogos-de-artifício, muito folclore e animação de rua, não faltando a sardinha assada, os vinhos do Minho e outros petiscos para divertir festeiros e turistas.

E os orçamentos, este ano, até diminuíram, fruto da crise económica que o país atravessa, mas a qualidade das festas, essa, “está garantida” – dizem as organizações.

Mas em toda esta programação festiva, há coisas que importa realçar, como por exemplo, o facto de não se esquecem as mais antigas tradições como as marchas populares e as fogueiras que tão bem caracterizam esta festa dedicada ao santo popular.

É importante que as festas inovem a cada ano em alguma das suas componentes, mas mais importante ainda, é tentar manter e preservar para a memória futura essas tradições ancestrais.
Depois do Santo António, virá o São João – que em Braga assume um papel de destaque – com um programa de festas que promete uma grande dose de diversão para miúdos e graúdos, ao sabor, é claro, das tradições sanjoaninas mais antigas.

Fonte: http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=2910

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