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Archive for the ‘Portugal’ Category

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

in Mensagem, Fernando Pessoa

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O Ministério da Ciência e da Educação e a Rádio e Televisão de Portugal (RTP)design_multimedia assinaram nesta terça-feira um protocolo de colaboração para o lançamento e consolidação do projecto “Ensina”, uma plataforma digital disponível para professores, pais e alunos. O site comportará conteúdos audiovisuais de diversas temáticas e pretende ser uma ferramenta de “consulta rápida e acessível” que irá destacar conteúdos que privilegiem a língua, a cultura e a ciência em português.

O portal vai começar por ter 800 conteúdos formativos e de carácter pedagógico distribuídos pelas diferentes temáticas, tais como Artes, Português, Ciência, História, Cidadania, Filosofia, Educação para os Media, Espaço Infantil. O site incluirá também conteúdos relacionados com a RTP [‘Conhecer a RTP’ e a ‘RTP nas escolas’].

Segundo o compromisso assinado, que vigorará por dois anos, sendo automaticamente renovado por igual período, a RTP e o Ministério terão repartidas responsabilidades na concretização e desenvolvimento do projecto.

A RTP irá promover o desenvolvimento de televisões e rádios escolares, mediante acções de formação, visitas de estudo às instalações televisivas, e ainda garantir o fornecimento de conteúdos de apoio ao estudo. Do lado do Ministério, este também terá algumas responsabilidades, tais como divulgar junto das escolas as iniciativas relacionadas com a Educação, podendo começar desde já essa tarefa, divulgando o próprio projecto “Ensina”.

A cerimónia da assinatura do protocolo realizou esta terça-feira no Pavilhão do Conhecimento, e contou com a presença de responsáveis governamentais e da RTP – o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, o secretário de Estado adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba, o director geral da Educação, Fernando Reis, o presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, e alunos da Escola Secundária Eça de Queirós, de Lisboa.

Tanto os alunos como os professores presentes na cerimónia destacaram a utilidade da plataforma digital no estudo e as potencialidades que esta oferece ao confrontar os alunos com reportagens, documentários históricos e arquivos únicos disponibilizados pela televisão.

Fonte: http://www.publico.pt/politica/noticia/rtp-e-ministerio-da-educacao-unemse-para-lancar-portal-ensina-1619678

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Os governos de Portugal e do Brasil defendem a capacitação das marinhas e guardas costeiras da CPLP para ultrapassar os problemas “mais prementes” que actualmente se colocam à segurança marítima, nomeadamente o terrorismo, a pirataria e o crime organizado.

Falando no II seminário Internacional Político-Diplomático do Centro de Análise Estratégica (CAE) da CPLP, realizado quarta-feira, em Maputo, o adido militar de Portugal Rui de Almeida considerou “indispensável” a formação deste ramo militar para a segurança marítima nos espaços de soberania e jurisdição dos Estados membro da organização.

“É indispensável que os governos e, em particular, os da CPLP capacitem as suas marinhas e guardas costeiras, de modo a que contribuam para a segurança marítima nos seus espaços de soberania e jurisdição e que cooperem partilhando informações e patrulhando em conjunto os espaços marítimos quando o Estado costeiro não tenha capacidade própria”, afirmou Rui de Almeida.

Dados do CAE indicam que a CPLP representa, no seu conjunto, um espaço marítimo de 7,5 milhões de quilómetros quadrados, constituindo-se como um potencial estratégico extraordinário e, ao mesmo tempo, eixo fundamental do desenvolvimento sustentável das suas economias.

Em declarações à Lusa, o subchefe de Estratégia e Relações Internacionais do Estado Maior da Marinha do Brasil, Flávio da Rocha, disse que a Marinha brasileira pode cooperar em diversas áreas com os países da CPLP, nomeadamente no controlo do tráfico marítimo, garantindo que o seu país “está pronto e tem conhecimento suficiente” no ramo.

Falando aos jornalistas, o chefe de Estado-Maior da Marinha de Guerra de Moçambique, Rivas Mangrasse, reconheceu a falta de meios por parte das autoridades moçambicanas para que o seu sector se “adapte às novas missões” marítimas.

“Devemo-nos adaptar às novas missões. Não existe a fronteira entre a segurança interna e externa”, alertou Rivas Mangrasse, reconhecendo que Moçambique enfrenta problemas de gestão das águas territoriais além das 24 milhas, onde “ocorrem aquelas outras ameaças que não têm fronteira, nomeadamente o terrorismo, a imigração ilegal e o contrabando”.

A propósito, o subchefe de Estratégia e Relações Internacionais do Estado-Maior da Marinha brasileira disse que “o Brasil está pronto e tem conhecimento suficiente para apoiar Moçambique, a Marinha moçambicana e o Governo em termos de levantamento hidrográfico” da plataforma continental.

“O Sistema de Controlo Marítimo brasileiro está aberto aos parceiros que queiram aderir ao nosso sistema. Temos centros subsectores regionais sul-americanos. Temos o nível de cooperação também de militares não só em cursos de treinamento mas também nas nossas escolas de formação de praça e oficiais”, afirmou.

Flávio da Rocha destacou que a Marinha do Brasil tem uma empresa de gestão de projectos navais, com linhas de créditos especiais. “Ela pode obter linhas de crédito para que a marinha de guerra de Moçambique, por exemplo, possa se equipar com meios projectados no Brasil, que tem um custo bastante competitivo hoje no mercado”, afirmou.

Entidades governamentais, diplomáticas, militares, académicas e da comunidade empresarial ligada ao sector dos transportes marítimos debateram na quarta-feira, em Maputo, os desafios da arquitectura da segurança marítima nos oito Estados membros da organização lusófona.

Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=83838

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Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d’elle passam sêde, não n’o acordem ao beber.

Uma andorinha travêssa, linda como todas, avôa brincando rente á relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, não venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de nôvo volta em zig-zags travêssos e chilreios de troça. E chilreia de troça, muito alto, por cima d’elle. Pierrot já se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de nôvo.

De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes.

De repente viu-se cego – os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o arôma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, á laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e já se esqueciam de que as tinham juntas…

– Sabes? Uma andorinha…

E foram de enfiada as graças da ave toda paixão. Pierrot contava enthusiasmado, olhando os montes ainda em busca da andorinha, e Colombina torceu o corpo numa dôr calada e tomou-lhe as mãos.

Havia na relva uma máscara branca de dôr, e a lua tinha nos olhos claros um olhar triste que dizia: Morreu Colombina!

Almada Negreiros

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Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa)

17 de Outubro de 2013

Acompanhe a conferência em directo:

http://livestre.am/14WFo

cplp

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Batem leve, levemente,pes-sujos
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.

Augusto Gil, in Luar de Janeiro

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É preciso acreditar,eeeeee

É preciso acreditar

que o sorriso de quem passa

é um bem para se guardar

que é luar ou sol de graça

que nos vem alumiar

É preciso acreditar,

É preciso acreditar

que a canção de quem trabalha

é um bem para se guardar

E não há nada que valha

a vontade de cantar

a qualquer hora cantar

É preciso acreditar,

É preciso acreditar

que uma vela ao longe solta

é um bem para se guardar

que se um barco parte ou volta

passará no alto mar

E é livre o alto mar

É preciso acreditar,

É preciso acreditar

Que esta chuva que nos molha

é um bem para se guardar

que há sempre terra que colha

um ribeiro a despertar

para um pão por despertar.

Leonel Neves

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